vim ao mundo na hora errada
nascí antes do tempo marcado
como rebento prematuro
faltando osso no cérebro
crescí entre macacos
que jogam bolotas
no meu casco azul nasce fungos
tadas as vezes que falo errado.
mas não importo-me com isso
sei que não sou daqui
apesar de tentar viver entre mamíferos
tenho o sorriso da galinha
que viu o pássaro voar
que viu o passado
virar caco de vidro
da vidraça quebrada
pela estatua do santo
do aleijadinho
em pé resito às tempestades
que assolam o casco da nave que me leva
do navio que voa à plenos ares
enquanto da janela sorri a moça
que cavalga o touro mecânico
do rodeio infernal que é a vida de quem não tem ninguém
mas como disse desgigo
o dito interdito do santo
que abandonou a batina deixando
a beata besta da vida
enfurecida com o mendigo abandonado
na esquina tem um doente mental
que grita Aleluias ao deus de jerusalem
belem, belem, belem
para anunciar o evangelho
no deserto da judéia lá de casa
em parceria com o robô atômico colorido
com hálito de naftalina.
Imagem: Anne Wardrope Brigman, Stardust.

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