o meu amor só vem me ver
quando quer
quando os ventos o trazem ele entra
nos meus aposentos como quem flutua
basta deixar a porta aberta
deixei a porta do meu quarto
aberta entre por ela meu amor
entre como quem flutua
como a pluma da paineira
venha dançar com o vento dos meus sonhos
com sua dança faça-me levitar
navegar em mares ondulados
quando meu amor
me aquece e derrama
seu óleo sobre mim
cingindo todo meu coração o sol
acorda por detrás das nuvens de chuva
espantando o vento frio e aquecendo
minha alma triste e pobre como quem
esquece a dor de uma existência triste
meu amor sorri travessuras
quando vem me visitar é como se estivesse roubando
meu coração entra em meu quarto
leva de mim todo
o peso que havia em minha alma
meu amor me olha como se fosse
água que cala o fogo que há em mim.
Imagem: Jill Freedman Cops and guns 1970.

Nenhum comentário:
Postar um comentário