no buraco que chamo de casa
onde escondo meu corpo
do olho do outro
tem um cheiro de urina de rato
cheio de teias de aranha
de caminhos de caminhar
baratas e formigas
não há detetive
que detetize a nojenta
poeira dos livros apodrecendo
quem pensa que pensa não aguenta
o cheiro de bosta de rato
há uma sociedade organizada
de animais minúsculos
que vivem em minha casa
embaixo da minha cama
estao em constante reunião
em discursos inflamados
reunidos em assembléias
filiando-se em partidos
organizando religiões.
frequentam lugares frio e quentes
lugares húmidos e secos das dobraduras de meu corpo
é um lugar organizado com câmeras de vigilância a postos
com soldados postados em prontidão
nas esquinas dos dedos das mãos e pés
a guerra dos insetos começou
já teve início o controle de natalidade
há um ar de paranóia no ar
a terra está em transe
algo vai acontecer
meus intestinos já pressentem
o fim do mundo chegou.
Imagem: Margaret Bourke-White. Moscow, Russia, 1941.

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